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Mensagens

São Martinho

pequeninos crescidos

vão no banco de trás apertados. seis pés disparatam entre eles e os bancos da frente, uma bola cai, um elástico salta, os ataques de riso sucedem-se à saída da cidade enquanto ouvimos o "encosta-te a mim" e o T. ensaia breaks. toda a gente se alinha ao longo da marginal: os que vivem nas moradias e mansões, os que partilham andares apertados na linha de sintra, os que têm termos, os que preferem as esplanadas. sandálias altas, chinelos rasos e havainas marcam passo à chegadas das praias. está um sol bom e com imaginação descobre-se sempre um lugar onde poderiamos estender as toalhas e os corpos s tivéssemos vindo preparados.é pena. não é pena. é junto à serra que a paisagem respira melhor. há poucos carros, há a nuvem grande que faz de chapelinho à montanha e indica o vento que devia existir e não veio, há ciclistas e poucos carros, um sol imenso num mar recortado à esquerda. curvas e curvas até lá acim. "já estivémos aqui", chutam pedrinhas e aeia com os pés. entra...

de volta

é a M. que diz que a vida nos dá sempre uma maneira de voltarmos às coisas. acho que é assim com a infância, que somos a criança que já vivemos todos os dias e não sabíamos. também é assim com as pessoas que se cruzaram e cruzam connosco todos os dias. de alguma maneira, cada passo, mesmo que acabe numa valente queda, volta mais tarde numa nova oportunidade de o dar. uma oportunidade mais madura, novinha em folha, de fazer de novo e outra vez. acontece-me com as pessoas de quem gosto muito. acontece-me com aqueles de quem (achava eu) tinha deixado de gostar. acontece-me com os talentos que cada um tem. é como senitr chegar um verão e encher o peito de ar.

a guida

é muito em mim e na minha vida. e de cada vez que a conheço mais, MAIS ela é e fica em mim. há quem escreva por nós de verdade. verdade. "dizem que foi mesmo ali colado às estrelas onde tudo começou...eu cá não sei, mas sei que é mesmo ali a tocar o céu onde tudo é mais genuíno, mais natural...e por isso, mais verdadeiro.gosto muito da verdade. mesmo quando ela dói. porque quando dói, dói sempre menos porque é verdade e então é natural, "faz parte" ! também é colado às estrelas onde só interessa o que é essencial e onde tudo se torna mais leve, talvez pela distância ao centro de "gravidade"...!bem...está na hora de levitar. volto amanhã."

hoje

ora portantooooo uma nova conta um almoço ao sol e com cavalos o guincho o trânsito para lisboa o colégio a casa do castelo e coisas boas:)

o mundo

há frases ditas que váo directamente ao coração de quem as ouve. ontem foi um fim de tarde e uma noite boa. estrada, música, sol, cerveja e aquela calma de um domingo que não adivinha a pressa da semana que se segue. e no meio de tudo isto, o amigo de uma amiga estava ao piano a tocar, a substituir o filipe raposo. tem boa onda o daniel, e só quando o vi em palco é que me lembrei que já me tinham dito, alguém de um planeta diferente do dos concertos, que ele ia estar ao piano naquela noite. depois do concerto aproximei, com o daniel, estas duas pontas de pessoas que conheço e que ele, sem saber, conhece também. "- É giro, não é? Incrível! O mundo está mesmo a duas pessoas de distância"

p'a guida

"Diz ele", disse Austin, "que há um súbito cheiro a jasmim trazido pela brisa inesperada, um súbito olhar límpido de mulher num súbito terraço, uma bola amarela de criança que vem devagar tocar-nos nos pés, qualquer coisa de violino, ou qualquer coisa de harpa, que vem de qualquer coisa que é noite, ou apenas silêncio, uma luz filtrada de pausa em certo fim de tarde, o mar que chega à praia deste peito, a onda que se estende quando chega, um cisne sem lago subindo o colo daquela mulher, ou a sua nudez ansiada como espuma de carne num lençol, a curva a que a mão dá o contorno , o cansaço nos lábios mordendo os cigarros, a amplidão de repente feita olhar , um grilo que vem dos nossos campos de outrora a canta na noite, o sabor do café na manhã clara , uma saia que roda e faz fru-fru, a luz que rompe, rindo, em face suja, alguém recupera música esquecida assobiando , a madeira velha larga um odor a tudo o que apetece voltar a ter, um amigo chega, bate a porta e lembra-nos o...

Babinski

é o novo livro ilustrado por Luis Henriques aqui fica um gostinho (da imprensa canalha)

sabe bem

um jantar, café novo, chegar tarde e a "más horas" a casa. não ser só casa-trabalho-trabalho-casa e pronto, amanhã tenho sono sim. a fingir que tive a ver a anatomia até agora:)

para a Francisca

minha querida princezinha: conheci-te numa manhã, 18 de Maio de 2002, fez exactamente ontem cinco anos e nessa altura tinhas essa idade. claro que faz sentido ter sido numa manhã, especialmente porque elas são mais claras aí em cima, com mais tempo, e há mesmo quem as arraste para lá do meio dia ainda com pijama no corpo ( o traje social mais usado por aí). em 2002 punhas-te em bicos de pés na janela para nos veres do lado de lá, pedias óculos escuros e colares à maria, querias os meus cadernos, o colo, as histórias. agora és mais ou menos assim também, mas mais alta. os bicos nos pés e calcanhares no chão, o cabelo maior, um ar mais velho de quem sabe tornar perto, soltando balões rumo ao céu em dia marcado,o que parece longe e afastado de nós. tu lembras-me todos os dias que quem somos está dentro e fundo de cada um, uma impressão digital ou tatuagem, como diria a mafalda, que não nos deixa esquecer quem somos. é assim que eu nunca esqueço nem deixo de sentir o enorme amor que sinto ...

3

há lugares (des)conhecidos que no fazem tremer à entrada. são as palavras ditas que encaixam na perfeição no espaço, que não sabíamos que existia, reservado para elas. um espaço guardado para guardar. é o tempo de cada palavra, o que se quer dizer do primeiro ao último som ouvido, a boca a acabar em lábios a dizer que falam e a falar, a ressoar em volta. é tudo isto que assusta e faz pensar "já aqui estive". ainda por cima estamos no mês de Maio.

paraíso

guardado na parte de dentro e mais quente do meu coração

abril

estou no pateo, em curva, e o vento não chega aqui. fica do lado delá do muro, faz-lhe uma tangente e segue em disparada para a quinta do hespanhol ondeos pinheiros altos o esperam. aqui o sol pode pousar inteiro e eu posso fingir que leio um livro que nem é meu. posso interromper e olhar directamente para o sol de chapa, de olhos cerrados, e ver ondas de luz por dentro de mim. posso ouvir a coruja,o pónei e uns porcos bebés que cheiram mal. ainda bem que o vento, que passa depressa, leva o cheiro. e ainda bem que os pinheiros não desmaiam.

páscoa

1. sopra-se o conteúdo dos ovos para uma taça e guarda-se as cascas 2. junta-se guaches, panos, pinceis, chocolate ovomaltine (...) deixo a imaginação de cada um fazer o resto, porque há instantes que, mesmo que partilháveis, não são de toda a gente a minha tarde de domingo foi assim e a areia no chão, de barriga para cima a pedir festinhas

arrumações

comprar frasco para pôr areia do deserto e dar ao tiago. colar o castiçal de madeira onde as velas redondas se poêm em fila indiana, apontadas à janela. não tem arranjo, vai fora. limpar fotografias do quadro em cima da aparelhagem. pôr na parede o print que encontrei do diário de bordo com um texto da mafalda depois dos coliseus de lisboa. guardar as fitas de fim de curso. arrumar centenas de fotografias. comprar uma lâmpada nova para o candeeiro de arroz. arranjar uma nova forma de guardar os cds que sobram das caixas. coisas para reciclar. as palvras do tomás e da catarina e matilde que estavam em post its à espera que os passasse para os cadernos que os três têm das palavras que foram dizendo quando começaram a conhecê-las melhor. já estão nos cadernos. a pulseira do open air no dossier do clube. uma mica com mails e fotografias da primeira vez que fomos a braga no dossier do clube, mais flyers e coisas de coliseus, além de um alinhamento. uma caixa para cartas e outra para guardar...

precioso

"adormeceu agora. brincámos aos robots e aos animais mortíferos, lemos dois livros e contaste-me histórias dos teus dias. inventaste rimas e fizeste uma canção. já lavas os dentes sozinho. levámos o "Pinóquio" para a cama e, pela primeira vez, conheceste o Gepeto, o menino de madeira que queria ser de verdade e o grilo, a "consciência". adormeceste muito enrolado no lençol, das voltas que ías dando enquanto te lia os "capítulos", e com uma perna dobrada para cima, encostada a parede. no outro dia fizeste isso. quando oiço a perna tombar pela parede branca...tssssss...sei que adormeceste. depois tento desenrolar-te do lençol com muito cuidado para não acordares. apago o candeeiro da girafa e guardo o livro ao pé da tua fotografia de verão. o teu universo está na janela, com o "bocadinho de noite" que deixo para trás a guardar-te. dorme bem." julho 2004 fazes parte do mais precioso da minha vida pequeno-grande t.
-No outro dia veio o alto lá da escola e deu-me um murro? - Foi, e entao e depois? O que aconteceu? Bateste-lhe? - Não tive tempo.... (barrigada de riso)

"Eternamente"

"sem ti, lancei outras raízes, construí pátios e terraços, fontes cujo som deveria apagar todos os silêncio, plantei um pomar com cheiro a damasco, mandei fazer um banco de cal à roda de uma àrvore para olhar as estrelas, um caminho o meio de um olival por onde o luar pousaria à noite, abóbodas de tijolo imaginadas pelo mais sábio dos arquitectos e até teias de aranha suspensas do tecto, como se vigiassem a passagem do tempo. nada disto tu vistem nada te contei, nada é teu. (...) sabes, quem não acredita em Deus, acredita nestas coisas, que tem como evidentes. acredita na eternidade das pedras e não na dos sentimentos, acredita na integridade da água, do vento, das estrelas. eu acredito na continuidade das coisas que amamos, acredito que para sempre ouviremos o som da água no rio onde tantas vezes mergulhámos a cara, para sempre passearemos pela sombra da àrvore onde tantas vezes parámos, para sempre seremos a brisa que entra e passeia pela casa, para sempre deslizaremos através d...