há lugares (des)conhecidos que no fazem tremer à entrada. são as palavras ditas que encaixam na perfeição no espaço, que não sabíamos que existia, reservado para elas. um espaço guardado para guardar. é o tempo de cada palavra, o que se quer dizer do primeiro ao último som ouvido, a boca a acabar em lábios a dizer que falam e a falar, a ressoar em volta. é tudo isto que assusta e faz pensar "já aqui estive". ainda por cima estamos no mês de Maio.
“Foi tudo tão rápido, embora goste de velocidades!” A primeira vez que falei contigo a sós foi por telefone. Queria pedir-te uma opinião, disseste “Sentamo-nos e explico-te tudo!”. Era um dia de trabalho. Achei estranhos a delicadeza e o cuidado. Pensei que fosse por ser amiga de amigos, por ter uma cadela bonita, por mil e uma coisas que não fossem a tua oferta sincera de tempo e presença. Planeámos a ninhada da Areia no Careca, onde nos viríamos a encontrar muitas vezes. Compraste um rádio e uns postais para os bebés cães terem música e paisagem quando estivéssemos longe. O teu cuidado. Através de ti conheci muitas pessoas. Eras um conector.Os teus pais, a tua casa, tantos dos teus amigos, a quinta, os carros, a igreja dos escuteiros, os planos de viagens, o clube do coração, os planos para jantar, um lanche, uma sardinhada, os festejos do europeu no capot do carro, a tua exigência de cantar o hino em pé, aos berros,antes do jogo começar. O movimento que se sentia à tua volta era o d...
Comentários