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Mensagens

para a Francisca

minha querida princezinha: conheci-te numa manhã, 18 de Maio de 2002, fez exactamente ontem cinco anos e nessa altura tinhas essa idade. claro que faz sentido ter sido numa manhã, especialmente porque elas são mais claras aí em cima, com mais tempo, e há mesmo quem as arraste para lá do meio dia ainda com pijama no corpo ( o traje social mais usado por aí). em 2002 punhas-te em bicos de pés na janela para nos veres do lado de lá, pedias óculos escuros e colares à maria, querias os meus cadernos, o colo, as histórias. agora és mais ou menos assim também, mas mais alta. os bicos nos pés e calcanhares no chão, o cabelo maior, um ar mais velho de quem sabe tornar perto, soltando balões rumo ao céu em dia marcado,o que parece longe e afastado de nós. tu lembras-me todos os dias que quem somos está dentro e fundo de cada um, uma impressão digital ou tatuagem, como diria a mafalda, que não nos deixa esquecer quem somos. é assim que eu nunca esqueço nem deixo de sentir o enorme amor que sinto ...

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há lugares (des)conhecidos que no fazem tremer à entrada. são as palavras ditas que encaixam na perfeição no espaço, que não sabíamos que existia, reservado para elas. um espaço guardado para guardar. é o tempo de cada palavra, o que se quer dizer do primeiro ao último som ouvido, a boca a acabar em lábios a dizer que falam e a falar, a ressoar em volta. é tudo isto que assusta e faz pensar "já aqui estive". ainda por cima estamos no mês de Maio.

paraíso

guardado na parte de dentro e mais quente do meu coração

abril

estou no pateo, em curva, e o vento não chega aqui. fica do lado delá do muro, faz-lhe uma tangente e segue em disparada para a quinta do hespanhol ondeos pinheiros altos o esperam. aqui o sol pode pousar inteiro e eu posso fingir que leio um livro que nem é meu. posso interromper e olhar directamente para o sol de chapa, de olhos cerrados, e ver ondas de luz por dentro de mim. posso ouvir a coruja,o pónei e uns porcos bebés que cheiram mal. ainda bem que o vento, que passa depressa, leva o cheiro. e ainda bem que os pinheiros não desmaiam.

páscoa

1. sopra-se o conteúdo dos ovos para uma taça e guarda-se as cascas 2. junta-se guaches, panos, pinceis, chocolate ovomaltine (...) deixo a imaginação de cada um fazer o resto, porque há instantes que, mesmo que partilháveis, não são de toda a gente a minha tarde de domingo foi assim e a areia no chão, de barriga para cima a pedir festinhas

arrumações

comprar frasco para pôr areia do deserto e dar ao tiago. colar o castiçal de madeira onde as velas redondas se poêm em fila indiana, apontadas à janela. não tem arranjo, vai fora. limpar fotografias do quadro em cima da aparelhagem. pôr na parede o print que encontrei do diário de bordo com um texto da mafalda depois dos coliseus de lisboa. guardar as fitas de fim de curso. arrumar centenas de fotografias. comprar uma lâmpada nova para o candeeiro de arroz. arranjar uma nova forma de guardar os cds que sobram das caixas. coisas para reciclar. as palvras do tomás e da catarina e matilde que estavam em post its à espera que os passasse para os cadernos que os três têm das palavras que foram dizendo quando começaram a conhecê-las melhor. já estão nos cadernos. a pulseira do open air no dossier do clube. uma mica com mails e fotografias da primeira vez que fomos a braga no dossier do clube, mais flyers e coisas de coliseus, além de um alinhamento. uma caixa para cartas e outra para guardar...

precioso

"adormeceu agora. brincámos aos robots e aos animais mortíferos, lemos dois livros e contaste-me histórias dos teus dias. inventaste rimas e fizeste uma canção. já lavas os dentes sozinho. levámos o "Pinóquio" para a cama e, pela primeira vez, conheceste o Gepeto, o menino de madeira que queria ser de verdade e o grilo, a "consciência". adormeceste muito enrolado no lençol, das voltas que ías dando enquanto te lia os "capítulos", e com uma perna dobrada para cima, encostada a parede. no outro dia fizeste isso. quando oiço a perna tombar pela parede branca...tssssss...sei que adormeceste. depois tento desenrolar-te do lençol com muito cuidado para não acordares. apago o candeeiro da girafa e guardo o livro ao pé da tua fotografia de verão. o teu universo está na janela, com o "bocadinho de noite" que deixo para trás a guardar-te. dorme bem." julho 2004 fazes parte do mais precioso da minha vida pequeno-grande t.
-No outro dia veio o alto lá da escola e deu-me um murro? - Foi, e entao e depois? O que aconteceu? Bateste-lhe? - Não tive tempo.... (barrigada de riso)

"Eternamente"

"sem ti, lancei outras raízes, construí pátios e terraços, fontes cujo som deveria apagar todos os silêncio, plantei um pomar com cheiro a damasco, mandei fazer um banco de cal à roda de uma àrvore para olhar as estrelas, um caminho o meio de um olival por onde o luar pousaria à noite, abóbodas de tijolo imaginadas pelo mais sábio dos arquitectos e até teias de aranha suspensas do tecto, como se vigiassem a passagem do tempo. nada disto tu vistem nada te contei, nada é teu. (...) sabes, quem não acredita em Deus, acredita nestas coisas, que tem como evidentes. acredita na eternidade das pedras e não na dos sentimentos, acredita na integridade da água, do vento, das estrelas. eu acredito na continuidade das coisas que amamos, acredito que para sempre ouviremos o som da água no rio onde tantas vezes mergulhámos a cara, para sempre passearemos pela sombra da àrvore onde tantas vezes parámos, para sempre seremos a brisa que entra e passeia pela casa, para sempre deslizaremos através d...

passear lisboa

a maggie está cá estes dias. é sempre diferente sabê-la cá, embora ela não o saiba, embora desconfie. passeámos lisboa. começamos a andar indefenidamente e acabámos ao pé do são luiz, na esplanada. na esplanada do são luiz. paradas, sentadas, e ainda assim a passear lisboa. lisboa.

é de rir

As melhores participações de seguros do ramo automóvel em Portugal O falecido apareceu a correr e desapareceu debaixo do meu carro. Para evitar bater de frente no contentor do lixo, atropelei um peão O acidente aconteceu quando a porta direita de um carro apareceude esquina sem fazer sinal. Aprendi a conduzir sem direcção assistida. Quando girei o volante no meu carro novo,dei comigo na direcção oposta e fora de mão! O peão bateu-me e foi para baixo do carro O peão não sabia para onde ia, então eu atropelei-o! Eu tinha a certeza que o velho não conseguia chegar ao outro lado da estrada, por isso atropelei-o O tipo andava aos ziguezagues de um lado para o outro da * *estrada. Tive que me desviar uma porção de vezes antes de o atropelar. Um carro invisível veio de não sei onde, bateu no meu carro edesapareceu. A camioneta bateu de traseira no meu pára-brisas, em cheio na cabeça da minha mulher.

dois anos e pouco

é a idade deste blog. fui ler-me para trás, li amigos também. encontrei este texto no blog da pipa. foi por ele, e através dele, que se marcaram novos jantares e este blog nasceu. hoje seria um dia de reunião, um dia só nosso, e eu vou ficar em casa. maldita gripe que me está a dar cabo da paciência, dos pulmões, da cabeça e do que mais há dentro dela. ainda bem que mesmo assim há coisas que se podem ler para trás. ainda bem que as pessoas se guardam por dentro, com febre ou não. "coisas boas" A casa da té tem o barulho dos passos apressados do tobias. gosto tanto da casa da té! Tem cheiro a abraço e sabor a amizade. tem chocolate quente e música. Normalmente, quando lá vou, tem-nos a nós. deitados no chão, arrastados das vidas, cansados, e felizes. conseguimos deixar penduradas na porta as coisas do dia, da vida. a casa da té tem música. tem paz. tem o movimento de lisboa, ali ao lado. e tem paz. é um lugar dos nossos, e chegar a casa da té é chegar a casa. vinho e cervejas,...

a pipa

a pipa é loira. engraçado, dantes parecia-me mais loira, agora nem me lembro que a chamávamos assim. sempre gostei muito dela. sempre. no início achava-a muito muito diferente de mim, embora fôssemos as duas caladinhas. e pipa era, e ainda é, "zen". foi assim que a descrevi numa noite de passagem de ano há uns bons anos atrás. "zen". e eu só vim aqui dizer que gosto mesmo muito dela. é uma referência e é pessoa boa.
"Abres um livro, este, e procuras. O que se procura não se sabe. E é preciso isso de não se saber se prolongue até à desmesura do processo de procura. Só assim um livro dura, suspenso da sua reticência, na euforia da promessa. Porque cada livro é sempre a promessa de uma palavra definitiva - não a última, mas a primeira. Uma palavra, ou outra coisa qualquer, um gesto, por exemplo, um pormenor, a curva da mão, um olhar, uma fita azul, um candelabro, uma jóia, poderá ser, sim, a mão atrás das costas, o contorno agudo do cotovelo, o cabelo apanhado logo ao sair da cama, a veia nebulosa de um braço, o pregueado de uma saia vermelha, será sempre aquilo a que o olhar se prende, não por curiosidade, que isso seria demasiado fútil, a curiosidade não tem lugar nestas coisas, mas para não cair, para não descer demasiado dentro de si mesmo, para manter à tona da água os olhos entreabertos, para emergir da noite da matéria, a silenciosa noite do mundo ou outra oisa qualquer, como um olhar, po...

que 2007

me traga as manhãs, mesmo as mal dormidas, as que custam a abandonar a cama, as que nos enchem o peito de ar fresco na primeira respiração profunda do dia os passeios, as viagens, o desfazer de fronteiras que não existem noutro lugar a não ser no fundo de nós me dê musica, da boa ( conta com a ajuda especial de alguém nesta parte) me dê noites e dias de amor interminaveis me faça ver o melhor de nós nos outros me dê a sabedoria para poder ajudar me dê a sensatez para gerir tempo e ter tempo para não fazer nada me continue a fazer perceber que a resposta, às vezs, não é "branca nem preta, e muito menos cinzenta" seja um ano de continuar esta vontade de realizar sonhos e arriscar algo novo, diferente traga as idas à escola ao fim do dia para ir buscar meninas que vêm cansadas e a contar o projecto da semana e a ideia de entrevistar um bombeiro para ensinar mais aos meninos sobre "as profissões" ou o chegar ao fim do dia a casa que fica numa rua que sobe e não desce, ...

o livro destes dias

" à procura, à procura do vento. Porque a minha vontade tem o tamanho de uma lei da terra. Porque a minha força determina a passagem do tempo. Eu quero. Eu sou capaz de lançar um grito para dentro de mim, que arrranca árvores pelas raízes, que explode veias em todos os corpos, que trespassa o mundo. Eu sou capaz de correr através desse grito, à sua velocidade, contra tudo o que se lança para deter-me, contra tudo o que se levanta no meu caminho, contra mim próprio. Eu quero. Eu sou capaz de expulsar o sol da minha pele, de vencê-lo mais uma vez e sempre. Porque a minha vontade me regenera, faz-me nascer, renascer. Porque a minha força é imortal." José Luis Peixoto se um dia conhecesse este senhor queria um tempo para lhe contar que as suas palavras têm sido estes meus dias e por isso mesmo estes meus dias têm sido melhores e vividos no lado quente de quem lê um bom livro

a caminho

a caminho de tua casa há um talho. é numa rua estreita, antes da curva em que a rua se desfaz e antes de um semáforo em que se espera a rua seguinte. quando te vou buscar sei que vou passar lá, por estar no caminho que faço até ti, quase no fim, quase a chegar. o semáforo implica espera e, por isso, parar frente ao talho. não é grande, tem só uma vitrine e uma porta. a vitrine não serve de muito por estar coberta com cartolinas fluorescentes a anunciar as costoletas, teclados, entrecostos, miúdos e pás ao melhor preço da região e arrredores. tudo escrito na letra de quem não tem jeito para escrever em cartazes, primeiro grande e cada vez mais pequena, como se soprada de um funil. à frente do talhoo há uma estátua, se é que se pode chamar assim, de um senhor com outra cartaz, este feito de barro, a anunciar as mesmas coisas que as cartolinas na montra. talho pequeno, tudo bem, mas lá comunicativo é. ora a rua é estreita, o passeio é estreito e a estátua, por ser larga, só cabe entre o l...
os dias são cheios de cor no outono com restos de verão e a certeza de um inverno cada vez mais próximo mas ainda assim quente há sempre casas onde é bom voltar e pessoas caminhos de regresso a quem somos e ao que démos e regressa transformado em mil pontos de luz