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Mensagens

o livro destes dias

" à procura, à procura do vento. Porque a minha vontade tem o tamanho de uma lei da terra. Porque a minha força determina a passagem do tempo. Eu quero. Eu sou capaz de lançar um grito para dentro de mim, que arrranca árvores pelas raízes, que explode veias em todos os corpos, que trespassa o mundo. Eu sou capaz de correr através desse grito, à sua velocidade, contra tudo o que se lança para deter-me, contra tudo o que se levanta no meu caminho, contra mim próprio. Eu quero. Eu sou capaz de expulsar o sol da minha pele, de vencê-lo mais uma vez e sempre. Porque a minha vontade me regenera, faz-me nascer, renascer. Porque a minha força é imortal." José Luis Peixoto se um dia conhecesse este senhor queria um tempo para lhe contar que as suas palavras têm sido estes meus dias e por isso mesmo estes meus dias têm sido melhores e vividos no lado quente de quem lê um bom livro

a caminho

a caminho de tua casa há um talho. é numa rua estreita, antes da curva em que a rua se desfaz e antes de um semáforo em que se espera a rua seguinte. quando te vou buscar sei que vou passar lá, por estar no caminho que faço até ti, quase no fim, quase a chegar. o semáforo implica espera e, por isso, parar frente ao talho. não é grande, tem só uma vitrine e uma porta. a vitrine não serve de muito por estar coberta com cartolinas fluorescentes a anunciar as costoletas, teclados, entrecostos, miúdos e pás ao melhor preço da região e arrredores. tudo escrito na letra de quem não tem jeito para escrever em cartazes, primeiro grande e cada vez mais pequena, como se soprada de um funil. à frente do talhoo há uma estátua, se é que se pode chamar assim, de um senhor com outra cartaz, este feito de barro, a anunciar as mesmas coisas que as cartolinas na montra. talho pequeno, tudo bem, mas lá comunicativo é. ora a rua é estreita, o passeio é estreito e a estátua, por ser larga, só cabe entre o l...
os dias são cheios de cor no outono com restos de verão e a certeza de um inverno cada vez mais próximo mas ainda assim quente há sempre casas onde é bom voltar e pessoas caminhos de regresso a quem somos e ao que démos e regressa transformado em mil pontos de luz
(suspiro)

em caracol

"Agora, as gotas de chuva que caem sobre a piscina, espaçadas e imprevisíveis, parecem-me a imagem que melhor descreve aquilo que existe dentro de mim e, no entanto, sei que se me sentasse a imaginar uma imagem concreta para reflectir este sentimento, nunca me lembraria desta visão simples aqui, à minha frente: gotas de chuva a caírem sobre a piscina. A minha idade irá parar no momento em que partires. Será uma espécie de morte cinzenta e de ausência. és tu que partes, mas sou eu que desapareço. Para onde fores, haverá pessoas que já existem agora, que respiram. No teu caminho, serão como pontos intermináveis de brilho. Talvez fales para essas pessoas, talvez elas te chamem pelo nome. Para onde fores, haverá mundo e vida. Aqui, continuará apenas esta varanda onde estou: um balcão. inútil sobre a paisagem, que se dissolverá numa cor única asim que partires. Sem surpresas, passarei a mão pelo cimento. Essa será uma carícia imaginada e desperdiçada. Mas isso será depois, quando exist...
posso dizer sindromes de etiologias várias, trissomia 21, deficiência mental e motora, cegueira...nada disto faz muito sentido. posso, antes, contar que tenho uma menina com os dois braços amputados e o que mais gosta de fazer é pôr luvas ou pulseiras nos "braços" (cotos) e dançar na sala. Tenho outra negligenciada em casa e que adora uma festa, que se ri, que tenta pôr o babete sozinha ao almoço apesar de ter mutio pouca força, que ri de felicidade quando a ajudamos a estar de pé. tenho um menino que finge dormir quando ´hora de trabalhar, e "dorme" mais com as técnicas de quem menos gosta. finge muito bem, de tal forma qe o ressonar parece verdadeiro e evidencia uma inteligência superior ao normal. tenho uma menina que não vê mas sabe quando estamos perto e, apesar de ter movimentos muito descoordenados, acerta sempre na taça de sopa quando a quer empurrar para longe. e ri-se. tenho outra que quer sempre mimo, trepa pelo colo, dança, adora chaves e quando é hora d...

dias

têm sido dias novos e de (re)descoberta. voltei a treinar, ainda por cima no estágio de pré-época e sinto agora como é bom e maravilhoso o banho depois do treino, à noite. o jantar tarde ainda com o sangue a correr mais depressa por dentro. comecei a trabalhar e a descoberta é constante. tenho uma sala pequena mas gosto por ser azul turquesa. todas as paredes são de um azul assim. quase parece que se mergulha quando se entra, não fosse a janela, à direita, a lembrar-nos que estamos fora de água num subúrbio de lisboa. são ainda muitas as dúvidas, as coisas a aprender, os horários e calendários não estabelecidos, os alunos por vir, a confusão dos almoços, as auxiliares...não tenho quase material nenhum, só algum que fiz, mas tenho prateleiras vazias para encher e é uma sensação boa, como a de um ano em aberto no princípio de Janeiro. voltei a outra casa e , apesar de um susto, foi um bom fim-de-semana onde o tempo passa devagar no balanço de uma rede que mora no terraço, debaixo das uva...

setembro

cheira a setembro em lisboa. ficaram para trás as estradas e caminhos, as imagens, os sítios novos e conhecidos, o dormir e acordar sem outro barulho que das cigarras e das estrelas (bem alto) do lado de lá da janela. o tempo de almoçar às 20 e jantar às 2, sair até ao nascer do dia e acordar ainda tonta, ainda com martini rosso, ainda com as canções. a minha rua voltou a ter quase todos os lugares de estacionamento preenchidos. fui ao ikea e estranhei tanta gente, já me desabituei disto. a segunda circular, a a5, o telefone a tocar e até o carro que larguei durante um mês. vêm ainda meloas e melões, fruta de verão, nas prateleiras de fruta, mas não será potr muito tepo. tantas tantas praias!!!guincho, são pedro, são joão, adraga, são lourenço, coxos, são julião, sul, norte, praia azul, praia de pobra del caraminal, praia das dunas, manta rota. todas e todas as areias, as marés e o caminho de regresso ao próximo verão. de alma cheia e cereza de vento a rasgar o peito que o importante ...

Fernando

uma vez a Maggie fez anos e fomos a casa dela para a festa. era uma casa muito bonita, ali para os lados da infante santo, com o rio inteiro nas janelas e um céu escuro ao início da noite. a maggie tinha uma saia e um top encarnados, estava com o sorriso de quem faz anos (sei que ela gosta de aniversários), a casa tinha quartos para todos os filhos, cinco. a margarida, a filipa, a teresa, o jonas e o gonçalo (se bem que o gonçalo nessa altura, a existir, só na bariga da mãe). havia uma mesa grande e comida, muitos livros nas estantes, quartos giros e a vista. havia varandas daquelas pequenas, que se nos pomos lá parece que vamos em descolagem por ai. ou talvez seja como diz o palma, "abriu a janela e voou". eram varandas de voar, sei-o agora. ficámos noite dentro e madrugada fora. conversámos, brincámos com a aparelhagem que tinha um sistema qualquer em que se passava a mão por um sensor, sem tocar em nada, e a porta do leitor de cd abria-se. passámos a noite a trocar d...
já plantei uma àrvore quando era pequenina, com o meu Pai, um eucapalipto que de facto cresceu e onde, anos mais tarde, escrevi dentro de um coração o meu nome e o de alguém ainda não escrevi um livro mas ganhei uma história ainda não tenho um filho mas tenho netos e são seis!
nas traseiras do meu quarto, que são as traseiras da minha casa inteira, há um jardim bonito. bonito por ser jardim e por ser um jardim bonito. tem um alpendre de madeira e uma mesa corrida, também de madeira, por baixo. com bancos de madeira corridos dos lados. tem um tabela de basket, bolas no chão e à noite há luzes, especialmente nestas noites de Verâo. estão sempre acesas, o que quer dizer que o jardim está aberto.guardo o que vejo como se fosse meu, não vão os vizinhos esquecer-se do que é importante um dia destes... tudo começa ao fim da tarde, quando chego a casa e abro a janela corrida (parece que aqui as coisas andam depressa, mas não), ponho música, deito-me no chão de madeira e vou escolhendo os próximos cds. bebo um capuccino. ou mais. é por volta desta hora que começam os jogos de futebol. depois são os banhos e os jantares, o barulho acalma, as bolas ficam quietas no chão. enquanto comem há muitas conversas, de todos, "cerscidos" e pequenos, e nunca ouvi gritos...
Que jogão! que dia bom, e os meus netos nasceram, são sete! e lindos. a Areia é muito boa Mãe, tão querida. já sei que vou ficar a pensar nela. entretanto faz-se um filme ao som das buzinas da vitória, às armas, às armas!

23 de junho

gosto de chegar aqui e visitar os meus links. é um dia estranho porque ficou a faltar uma parte de mim que devia estar preenchida com o casino estoril de ontem à noite e ficou a balançar numa dor de cabeça que me arrastou para a cama as dez da noite. gosto de ver novidades nos blogs dos outros, as fotografias, o que dizem, e só depois regresso aqui. hoje gostava de contar uma viagem, um sorriso das minhas sobrinhas, um mergulho da areia no tejo. hoje gostava de ter todo o tempo do mundo para ter a tua cara na minha mão, tu a dormir de olhos fechados, lábios entreabertos, e eu na ânsia de que acordes que já tenho saudades tuas. hoje gostava de um jantar e do más, de ouvir música no chão. de braga, que me faz tanta falta. não ando com paciência para quem só se vê a si próprio nem para falta de profisionalismo. vale-ma a Professora Ana!tenho pena que o tempo no núcleo esteja a acabar porque foi bom e soube a pouco. não me apetecem mais directas e talvez tenha que ser, mas não estou nem aí...

23 de junho

gosto de chegar aqui e visitar os meus links. é um dia estranho porque ficou a faltar uma pate de mim que devia estar preenchida com o casino estoril de ontem à noite e ficou a balançar numa dor de cabeça que me arrastou para a cama as dez da noite. gosto de ver novidades nos blogs dos outros, as fotografias, o que dizem, e só depois regresso aqui. hoje gostava de contar uma viagem, um sorriso das minhas sobrinhas, um mergulho da areia no tejo. hoje gostava de ter todo o tempo do mundo para ter a tua cara na minha mão, tu a dormir de olhos fechados, lábios entreabertos, e eu na ânsia de que acordes que já tenho saudades tuas. hoje gostava de um jantar e do más, de ouvir música no chão. de braga, que me faz tanta falta. não ando com paciência para quem só se vê a si próprio nem para falta de profisionalismo. tenho pena que o tempo no núcleo esteja a acabar porque foi bom e soube a pouco. não me apetecem mais directas e talvez tenha que ser, mas não estou nem aí. estou aí par os filhos d...

actualizações

tenho uma enorme sensação de vazio. +e estranho chegar ao fim do ano, pelo menos para mim tem sido, sobretudo nos últimos dois. desenvolver um trabalho com as crianças, todas as estruturas que se criam, as relações, e depois chega-se ao fim e é um adeus só. fica-se incompleto. sei que dei o máximo de mim, tudo. sim, gostava de ter sido mais organizada, mas fui mehlor que no ano passado. gostava de ter tido ainda mais coisas prontas nos últimos dias, mas foi melhor que no ano passado. gostava de não ter estado a preencher conners mais de duas horas para depois as imprimir e não se ver o azul que fazia a diferença! mas dei o máximo. agora estou cansada mas quis vir aqui. é que a maría diz que eu tenho que escrever, e também o digo a mim própria. étempo de actualizações, mais em mim que no resto. Faz falta temoi livre. domingo recomaço a trabalhar, até lá não e tudo há-de correr bem. é que eu tenho ao meu lado, além de mim, pesssoas maravilhosas. nem elas sabem o quanto. boa madrugada

assim

como há um ano atrás...cá estamos...