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"Morelliana, Penso nos gestos esquecidos, nos múltiplos acenos e palavras dos avós pouco a pouco perdidos, não herdados, caídos um a seguir ao outro da árvore do tempo. Esta noite encontrei uma vela em cima da mesa, e por brincadeira acendi-a e andei com ela pelo corredor. O ar do movimento ia apagá-la, então vi a minha mão esquerda levantar-se sozinha, fazer uma cova, proteger a chama como um abat-jour vivo que afastava o ar. Enquanto a chama se colocava novamente aberta, pensei que esse gesto tinha sido o de todos nós (pensei nós e pensei bem, ou senti bem) durante milhares de anos, desde a Idade do Fogo até ao dia em que no-lo trocaram pela luz eléctrica. Imaginei outros gestos, o das mulheres a levantarem a ponta das saias, o dos homens a procurarem o punho da espada. Como as palavras perdidas da infância, ouvidas pela última vez da boca dos velhos que iam morrendo. Em minha casa já ninguém diz a "cómoda de alcânfora", já ninguém fala dos "tripés". A mesma ...
dear Sophia, it's really late. I've just arrived home after a dinner at my grandma's house. she's still so special. everyone ate a lot, we talked about old friends, ourselves when we were growing up. there are always stories about africa. we are all so linked there, so many miles away and yet. we talked about you, alexis and darril. and also about the bulldogs that my uncle used to have and were pretty awfull and scary. I was really afraid of them, but one day I grabbed a horn and chased them trough the garden until they were crying with the noise. never bothered me again. we also mentioned cape town and pretoria, your house, your family, I remember you so dearly it's hard to say. you were my friend and were a bit like me. you thaught me english and had the patiente enough to hear me reading, laughing out loud in a bed full of animals and pillows that we throwed until they reached the ceiling, you knew the piano but hated it. you knew everybody and everything so wel...

a funny day

" parece-me, antes, que amar é reconhecer. reconhecer no sentido de quem se conhece duas vezes. por fora. e por dentro. reconhecer como forma de nos reconhecermos, insaciavelmente, em alguém que faz parte de nós. reconhecer como uma estranheza que se esclarece, sempre que alguém precioso nos reconhece, mesmo quando não sabemos quem somos. e reconhecer gratidão. pelos gestos de reconhecimento que se trocam quando se ama."

desejo

"é preciso pensar bem no que se deseja porque a maior parte das vezes realiza-se" NLA

Gosto

do primeiro passeio de carro epois de encher o depósito. o ponteiro não mexe e parece a viagem no comboio fantasma em que o senhor era meu amigo e me dava a primeira volta grátis

rayuela

"Descobríamos como a vida se instala em formas privadas de terceira dimensão, que desaparecem se se põem de lado, ou deixam apenas uma pequena risca rosada imóvel e vertical na água"

mixed

"I mixed them with my brain" john opie, when asked with what he mixed his colours

de pernas para o ar

e assim ficamos
que os dias se desfaçam no caminho de mim a ti como espaço a ser percorrido

dia

acordei com sono preso na ponta da almofada e a espalhar-se desde o nariz até ao espaço atrás das orelhas. levantei-me, a vida dos dias dia inteiro. chego a casa e tenho ainda o sono da manhã colado à roupa e à pele, um borboto mal preso dos últimos dias.

Parabéns

a quem se dedica a perseguir o que soha e escreve o que sente. agora nos estados unidos com mais de dez livros traduzidos e críticas boas , e merecidas, à sua obra. um orgulho

é ela!

chama-se valentina e vai morar no meu coração....quando a encontrar! se alguém tiver alguma pista diga....

telefone ontem à noite

- a perna???como??? - (...) - posso falar com ela? -(...). - então c., que aconteceu? - foi assim...comecei a andar muito depressa muito depressa e depois nunca mais parei e...foi assim!...amanhã vens cá ver-me? - sim, com direito a todos os miminhos e à comida preferida. (lá atrás..."eu não quero ir à escola, eu nem gosto de aprender, os meus amigos também não!")

balão

"É estranha esta coisa de ser eu a decidir da minha existência. Mais um bocadinho e comecei. Como quero. Sim, posso escolher a cor, o formato, se quero ser público ou privado. Sou o meu pai e a minha mãe. quem vou eu poder culpar quando as coisas correrem mal? Logo se verá. Para já, existo. Logo mais, penso " acho eu, 7.01.2003

abrir

mudar é pôr noutro sítio o que estava no mesmo lugar. mudar é não encontrar o pacote de leite da marca do costume e arriscar o de soja. mudar é carregar o saco mais pesado na mão esquerda. é não encostar o ombro na porta do prédio para a ajudar a abrir. é pôr o pisca sempre que se quer virar e lavar as mãos sempre que se vai à casa-de-banho. arriscar café com açucar, não ver a agenda, comer um bolo com creme e uns caracóis, se se estiver na praia e o dia convidar. é estar com outros que não os meus. é deixar entrar quem fica de fora. é fazer um prato vegetariano e experimentar um risotto. é ter outra posição para adormecer. é ter um tempo em suspenso para decidir o tempo que se quer.

MoMa

saio de casa e vou até à 11 west 53 street. como se fosse ao pingo doce. olho para a parede, vejo esta imagem... Lucian Freud . " Freud....olha que nome giro, psicanálise em desenhos?". e lá entrava, trocos, bilhete, escadas e lá vou eu. saio de casa e vou ao pingo doce comprar pão. volto e passeio o cão. está frio hoje, mais que ontem. a psicanálise fica para depois. chaves, escadas, corredor. Lucian Freud está aqui .