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Mensagens

dia

acordei com sono preso na ponta da almofada e a espalhar-se desde o nariz até ao espaço atrás das orelhas. levantei-me, a vida dos dias dia inteiro. chego a casa e tenho ainda o sono da manhã colado à roupa e à pele, um borboto mal preso dos últimos dias.

Parabéns

a quem se dedica a perseguir o que soha e escreve o que sente. agora nos estados unidos com mais de dez livros traduzidos e críticas boas , e merecidas, à sua obra. um orgulho

é ela!

chama-se valentina e vai morar no meu coração....quando a encontrar! se alguém tiver alguma pista diga....

telefone ontem à noite

- a perna???como??? - (...) - posso falar com ela? -(...). - então c., que aconteceu? - foi assim...comecei a andar muito depressa muito depressa e depois nunca mais parei e...foi assim!...amanhã vens cá ver-me? - sim, com direito a todos os miminhos e à comida preferida. (lá atrás..."eu não quero ir à escola, eu nem gosto de aprender, os meus amigos também não!")

balão

"É estranha esta coisa de ser eu a decidir da minha existência. Mais um bocadinho e comecei. Como quero. Sim, posso escolher a cor, o formato, se quero ser público ou privado. Sou o meu pai e a minha mãe. quem vou eu poder culpar quando as coisas correrem mal? Logo se verá. Para já, existo. Logo mais, penso " acho eu, 7.01.2003

abrir

mudar é pôr noutro sítio o que estava no mesmo lugar. mudar é não encontrar o pacote de leite da marca do costume e arriscar o de soja. mudar é carregar o saco mais pesado na mão esquerda. é não encostar o ombro na porta do prédio para a ajudar a abrir. é pôr o pisca sempre que se quer virar e lavar as mãos sempre que se vai à casa-de-banho. arriscar café com açucar, não ver a agenda, comer um bolo com creme e uns caracóis, se se estiver na praia e o dia convidar. é estar com outros que não os meus. é deixar entrar quem fica de fora. é fazer um prato vegetariano e experimentar um risotto. é ter outra posição para adormecer. é ter um tempo em suspenso para decidir o tempo que se quer.

MoMa

saio de casa e vou até à 11 west 53 street. como se fosse ao pingo doce. olho para a parede, vejo esta imagem... Lucian Freud . " Freud....olha que nome giro, psicanálise em desenhos?". e lá entrava, trocos, bilhete, escadas e lá vou eu. saio de casa e vou ao pingo doce comprar pão. volto e passeio o cão. está frio hoje, mais que ontem. a psicanálise fica para depois. chaves, escadas, corredor. Lucian Freud está aqui .

15 minutos

sentaste-te ao meu lado, aninhada. a televisão ligado, eu ainda de pensamento no meu dia e tu a espreitar as imagens. íamos começar a conversar..."banho!" pareceu-me um desperdício pensar

é o que se quer

(um passo de cada vez)
bom ano

sombra

"às vezes julgamos que as pessoas são décimos de lotaria: que estão ali para tornar realidade as nossas ilusões absurdas."

noite

no segundo lugar do braço
meu amor, há gaivotas em lisboa, carros, passadeiras. peões não. ninguém anda a pé, só a motor. talvez as gaivotas sejam a pilhas. percorri o caminho de casa até à casa da música. não tinha sons, talvez devido à falta de gente e às tomadas desligadas da ficha. ainda assim, imaginei as nossas músicas e trauteei-as baixinho, embora ninguém me ouvisse. o sol está atrás das nuvens. ando. não se distingue o acizentado das asas que cortam a manhã das nuvens, por trás. no rossio, sem ninguém, nem sequer o som da água da fonte a bater no fundo, fechei os olhos e vi-te. a sorrir. os dentes a espreitar dos lábios, pessoas de curiosidade infantil em janelas onde se debruçam palavras.tinhas o cabelo solto e com sal, talvez Verão, e o futuro era a tua gola apontada ao céu. as mãos não as vi. julgo que tocavam as minhas por estarem quentes sem saco de castanhos assadas e, afinal, estava só no rossio. só podiam ser as tuas mãos a ter as minhas, um nascimento silencioso. falaste? a tua boca moveu-se. ...

queria

um bife com batatas fritas e molho um gelado grande, daqueles com bolacha esmigalhada por cime e molho de chocolate cerveja num dia de sol mais trabalho (tenho quase nada) uma viagem a dois a um sítio que eu cá sei concertos carreiras e ir ali ao sofá encarnado ouvir música no i-pod

Al

Um homem arrepia-se de frio ao cair da tarde. Leva as mãos aos bolsos e retira um gorro de lã. De asas arruinadas voa no éter, troçando da gravidade que o esmaga Luis Quintais

ovos

gostava de ter uma frigideira que fizesse verdadeiros ovos estrelados

agora

estou em casa. estive nas urgências do hospital e volto lá dqui a duas horas p buscar o resultado das análises. não fico internada. "tem que ser operada em breve!" (jura?) foi só um susto e por causa disto se calhar n posso ir festejar um ano novo com os meus amigos (faz-me tanta falta um ano novinho em folha!) CARALHO!

invisible

Edward Ruscha, 1984