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Mensagens

chão

há lugares que são como toda a nossa vida devia ser

Ana

Conheci-a num jantar de caloiro. "Morato, Sofia Santos, Rui Martins, Ana Rodrigues" nomes murmurados por veteranos. passaram-se 4 anos sem a ver. em 2004 tive uma disciplina que nos fez reunir num ginásio, organizar grupos e escolher um orientador. este grupo, que eu não sabia mas já éramos nós com ela, mudou-me. tinha o antónio, a maría, a ritinha, a rita, a raquel, a adiafa e o ferreirinha. mais eu. ocupámos um ginásio, e neste caso ginásio vem de "gigante". vimo-nos mais que às nossas famílias durante esse ano. à semelhança do que foi a 1ª aula com o Professor Pedro, onde senti que estava no lugar certo (o Professor Pedro é o único que, tendo uma aula de PT à sexta-feira antes do almoço, das 11:30 às 13 se não me engano, tinha lá a turma toda. ele não sabia, mas muitas vezes não tínhamos a aula antes. e ele não sabia que nós sabíamos com antecedência que não íamos ter as primeiras horas e que , ainda por cima à sexta, era uma fabulosa balda especialmente para os ...

t-u

não tenho emprego, tenho 6 horas de trabalho por semana. o resultado de projectos ainda se vai ver depois de mais uma operação que me assusta e tenho que fazer. não tenho carro, tão cedo não saio de casa e estou feliz. sinto-o de verdade enquanto te espero. os meus dias têm-te a ti. têm o caminho para a escola, muito ensonado, inclinado na cadeira de cabeça encostada à janela a fazer ricochete no alcatrão. hoje tivémos uma companhia especial e o teu sorriso de vitória a entrar na escola valeu-me a madrugada. estás crescido e ainda assim julgo ouvir-te dizer o "estranformei-me" como dizias nos teus 4 anos e que a Matilde diz agora. gosto de seres assim como és: de bem com a vida. de seres tão sensível e fazeres do que se sente o chão de certezas, mesmo que a vida às vezes nos faça voar. gosto do que ainda tens de tão pequenino e de tão crescido, e acho essas tuas duas marés tão bonitas que me apetece contá-las a quem vejo. não conto porque se estivesses ao meu lado dizias baix...

o meu orgulho

"Por vezes temos de atravessar um rio mas não temos barco. Temos de ver as coisas nítidas mas não temos óculos. Temos de seguir em frente mas temos um caminho. Temos de gritar mas não temos voz. Temos de lutar mas não temos força.Temos de viver a vida mas não temos vontade. A tua amizade podia até não mudar nada mas a verdade é que torna a nossa especial e isso muda tudo.Obrigado por tudo o que tens feito por nós. Apesar de seres maluco, bebes e fumas mas gostamos muito de ti. Um beijinho especial dos teus alunos. Feliz aniversário."

roxo

o pijama é roxo. as calças acabam pouco depois dos joelhos. por baixo tem uns collants brancos muito justos. parecem quentes (está um calor dos diabos e são quentes!) empurram-na pela rampa, entra na sala. os joelhos são pulsos, as pernas braços. é a primeira vez que te vejo: quatro pulsos e quatro braços. tanto tronco e quase nada que toque o chão, só as rodinhas de borracha gordas. quem a traz trata de papeis. está quase deitada na cadeira, pequenina. cai-lhe o corpo. sai dele. treme treme treme, chora. toda ela treme e chora com todos os braços, pulsos, até com os caracóis cinzentos cortados rente. treme sem lágrimas e geme baixinho. ninguém mais a vê e eu sentada, ela sentada. deixaram-na à minha frente. geme baixinho, a filha limpa-lhe a cara de lágrimas que não existem, fala com ela, mas tem os papeis, a fila, a cadeira não cabe junto ao balcão e separam-se por um papel colado, torto. "fila única". cruza e descruza os braços, afinal pernas, passa muitas vezes o polega...
"(...) que desce desde o cimo até terminar numa pequena cascata junto ao mar. O nome do rio é “Touro”. " amanhecer aqui

dias azuis

a outra margem

de Luis Filipe Rocha estreia no início de Outubro

o que se espera

tenho andado a pensar nisto: no que esperam de nós. no trabalho, nos amigos,pessoas da família, as pessoas das caixas do supermercado e das bombas de gasolina. é uma ideia estranha porque talvez parta do princípio errado de que esperam alguma coisa, como se quiséssemos pôr um espelho onde não há. ou então espera-se tudo e há zooms, grandes angulares que nos dissecam aos bocados para ver se estivémos bem aqui, ali e acoli. a ideia que fazemos dos outros e de nós é estranha e semelhante à ideia de sucesso. há aqueles que movimentam milhões, trabalham e ganham cada vez mais. há os que montam um circo à sua volta. há os que daqui a dois anos estarão esquecidos e cairão na frase deprimente..."ah, aquele da televisão que aparecia muito,...o que é que ele fazia?" nós somos espectadores do circo montado. e também gostamos às vezes, porque a verdade é que os lugares estão ocupados e há fila de espera. é uma ideia errada. é esperar ver um reflexo de nós em algo, ou alguém, que não nos...

pearl

parece uma reedição da história de Dan Eldon, morto uns anos antes, mais novo, sem a vida transformada num filme. seja como fôr, tanto eldon como pearl arriscaram mais (demais?) para nos fazerem chegar notícias. de quantas mais vamos precisar? o mundo não é só bom, nem doce, nem feliz. também é mau, com histórias desfeitas, vidas que acabam, mistérios de nós, dos outros, da vida e da morte. o mundo é isso tudo e parece-me um sonho. parece que a vida de dia é só estar acordado e há um sonho maior por trás que continua, ou retomamos, cada momento. tudo recomeça. não há vida que acabe com morte, só um sonho por trás. uma forma de ser.

fim de verão

sei que é fim de verão porque me levantas o braço (o meu braço é um peso morto-vivo levantado por ti), contas-me da festa de anos de ontem e do primeiro dia de escola do terceiro ano. é já amanhã. falas da roupa que queres vestir, "como a hermione", calças de ganga e um casaco rosa novo. umas calças muito quentes para este setembro de um calor aquoso, por isso acho que levo uma saia na mala para quando forem 4 horas e te for buscar. para quando tiver as duas mãos ocupadas com quatro mãos mais pequenas, para ouvir como foi e ver-te suar enquanto dizes que não tiveste calor nenhum, a rir. porque eu sei que tu vais ter calor e tu sabes que eu sei, mas não dizemos a ninguém. esta é a cara que a terra faz junto ao mar no fim de verão e o manda embora em sopro nos dias de setembro bolas de sabão dos dias mais felizes

1 pontito!

estamos assim: mimo e a minha mão por cima
cheira a agosto" e a verão e s t e n d i d o

digo-te:

tens sempre calma porque sabes queum dia tudo vai fazer sentido. aprendi que é assim e que todos os dias têm um sentido qualquer, mesmo que mais escondido. tu fazes-me acreditar que se caio é porque me vai fazer bem esfolar os joelhos, e se choro é porque é bom lembrar o sabor do mar. fazes-me acreditar que há mais qualquer coisa. fazes-me saber, bem dentro, que somos um bocadinho mais do que pensamos ser. quero viver, viver-te, escrever-te, procurar o que mais houver. amo-te

a maçã

"you can't connect the dots looking forward; you can only connect them looking backwards. So you have to trust that the dots will somehow connect in your future. You have to trust in something — your gut, destiny, life, karma, whatever. This approach has never let me down, and it has made all the difference in my life." (SJ)

São Martinho

pequeninos crescidos

vão no banco de trás apertados. seis pés disparatam entre eles e os bancos da frente, uma bola cai, um elástico salta, os ataques de riso sucedem-se à saída da cidade enquanto ouvimos o "encosta-te a mim" e o T. ensaia breaks. toda a gente se alinha ao longo da marginal: os que vivem nas moradias e mansões, os que partilham andares apertados na linha de sintra, os que têm termos, os que preferem as esplanadas. sandálias altas, chinelos rasos e havainas marcam passo à chegadas das praias. está um sol bom e com imaginação descobre-se sempre um lugar onde poderiamos estender as toalhas e os corpos s tivéssemos vindo preparados.é pena. não é pena. é junto à serra que a paisagem respira melhor. há poucos carros, há a nuvem grande que faz de chapelinho à montanha e indica o vento que devia existir e não veio, há ciclistas e poucos carros, um sol imenso num mar recortado à esquerda. curvas e curvas até lá acim. "já estivémos aqui", chutam pedrinhas e aeia com os pés. entra...

de volta

é a M. que diz que a vida nos dá sempre uma maneira de voltarmos às coisas. acho que é assim com a infância, que somos a criança que já vivemos todos os dias e não sabíamos. também é assim com as pessoas que se cruzaram e cruzam connosco todos os dias. de alguma maneira, cada passo, mesmo que acabe numa valente queda, volta mais tarde numa nova oportunidade de o dar. uma oportunidade mais madura, novinha em folha, de fazer de novo e outra vez. acontece-me com as pessoas de quem gosto muito. acontece-me com aqueles de quem (achava eu) tinha deixado de gostar. acontece-me com os talentos que cada um tem. é como senitr chegar um verão e encher o peito de ar.