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Mensagens

dias azuis

a outra margem

de Luis Filipe Rocha estreia no início de Outubro

o que se espera

tenho andado a pensar nisto: no que esperam de nós. no trabalho, nos amigos,pessoas da família, as pessoas das caixas do supermercado e das bombas de gasolina. é uma ideia estranha porque talvez parta do princípio errado de que esperam alguma coisa, como se quiséssemos pôr um espelho onde não há. ou então espera-se tudo e há zooms, grandes angulares que nos dissecam aos bocados para ver se estivémos bem aqui, ali e acoli. a ideia que fazemos dos outros e de nós é estranha e semelhante à ideia de sucesso. há aqueles que movimentam milhões, trabalham e ganham cada vez mais. há os que montam um circo à sua volta. há os que daqui a dois anos estarão esquecidos e cairão na frase deprimente..."ah, aquele da televisão que aparecia muito,...o que é que ele fazia?" nós somos espectadores do circo montado. e também gostamos às vezes, porque a verdade é que os lugares estão ocupados e há fila de espera. é uma ideia errada. é esperar ver um reflexo de nós em algo, ou alguém, que não nos...

pearl

parece uma reedição da história de Dan Eldon, morto uns anos antes, mais novo, sem a vida transformada num filme. seja como fôr, tanto eldon como pearl arriscaram mais (demais?) para nos fazerem chegar notícias. de quantas mais vamos precisar? o mundo não é só bom, nem doce, nem feliz. também é mau, com histórias desfeitas, vidas que acabam, mistérios de nós, dos outros, da vida e da morte. o mundo é isso tudo e parece-me um sonho. parece que a vida de dia é só estar acordado e há um sonho maior por trás que continua, ou retomamos, cada momento. tudo recomeça. não há vida que acabe com morte, só um sonho por trás. uma forma de ser.

fim de verão

sei que é fim de verão porque me levantas o braço (o meu braço é um peso morto-vivo levantado por ti), contas-me da festa de anos de ontem e do primeiro dia de escola do terceiro ano. é já amanhã. falas da roupa que queres vestir, "como a hermione", calças de ganga e um casaco rosa novo. umas calças muito quentes para este setembro de um calor aquoso, por isso acho que levo uma saia na mala para quando forem 4 horas e te for buscar. para quando tiver as duas mãos ocupadas com quatro mãos mais pequenas, para ouvir como foi e ver-te suar enquanto dizes que não tiveste calor nenhum, a rir. porque eu sei que tu vais ter calor e tu sabes que eu sei, mas não dizemos a ninguém. esta é a cara que a terra faz junto ao mar no fim de verão e o manda embora em sopro nos dias de setembro bolas de sabão dos dias mais felizes

1 pontito!

estamos assim: mimo e a minha mão por cima
cheira a agosto" e a verão e s t e n d i d o

digo-te:

tens sempre calma porque sabes queum dia tudo vai fazer sentido. aprendi que é assim e que todos os dias têm um sentido qualquer, mesmo que mais escondido. tu fazes-me acreditar que se caio é porque me vai fazer bem esfolar os joelhos, e se choro é porque é bom lembrar o sabor do mar. fazes-me acreditar que há mais qualquer coisa. fazes-me saber, bem dentro, que somos um bocadinho mais do que pensamos ser. quero viver, viver-te, escrever-te, procurar o que mais houver. amo-te

a maçã

"you can't connect the dots looking forward; you can only connect them looking backwards. So you have to trust that the dots will somehow connect in your future. You have to trust in something — your gut, destiny, life, karma, whatever. This approach has never let me down, and it has made all the difference in my life." (SJ)

São Martinho

pequeninos crescidos

vão no banco de trás apertados. seis pés disparatam entre eles e os bancos da frente, uma bola cai, um elástico salta, os ataques de riso sucedem-se à saída da cidade enquanto ouvimos o "encosta-te a mim" e o T. ensaia breaks. toda a gente se alinha ao longo da marginal: os que vivem nas moradias e mansões, os que partilham andares apertados na linha de sintra, os que têm termos, os que preferem as esplanadas. sandálias altas, chinelos rasos e havainas marcam passo à chegadas das praias. está um sol bom e com imaginação descobre-se sempre um lugar onde poderiamos estender as toalhas e os corpos s tivéssemos vindo preparados.é pena. não é pena. é junto à serra que a paisagem respira melhor. há poucos carros, há a nuvem grande que faz de chapelinho à montanha e indica o vento que devia existir e não veio, há ciclistas e poucos carros, um sol imenso num mar recortado à esquerda. curvas e curvas até lá acim. "já estivémos aqui", chutam pedrinhas e aeia com os pés. entra...

de volta

é a M. que diz que a vida nos dá sempre uma maneira de voltarmos às coisas. acho que é assim com a infância, que somos a criança que já vivemos todos os dias e não sabíamos. também é assim com as pessoas que se cruzaram e cruzam connosco todos os dias. de alguma maneira, cada passo, mesmo que acabe numa valente queda, volta mais tarde numa nova oportunidade de o dar. uma oportunidade mais madura, novinha em folha, de fazer de novo e outra vez. acontece-me com as pessoas de quem gosto muito. acontece-me com aqueles de quem (achava eu) tinha deixado de gostar. acontece-me com os talentos que cada um tem. é como senitr chegar um verão e encher o peito de ar.

a guida

é muito em mim e na minha vida. e de cada vez que a conheço mais, MAIS ela é e fica em mim. há quem escreva por nós de verdade. verdade. "dizem que foi mesmo ali colado às estrelas onde tudo começou...eu cá não sei, mas sei que é mesmo ali a tocar o céu onde tudo é mais genuíno, mais natural...e por isso, mais verdadeiro.gosto muito da verdade. mesmo quando ela dói. porque quando dói, dói sempre menos porque é verdade e então é natural, "faz parte" ! também é colado às estrelas onde só interessa o que é essencial e onde tudo se torna mais leve, talvez pela distância ao centro de "gravidade"...!bem...está na hora de levitar. volto amanhã."

hoje

ora portantooooo uma nova conta um almoço ao sol e com cavalos o guincho o trânsito para lisboa o colégio a casa do castelo e coisas boas:)

o mundo

há frases ditas que váo directamente ao coração de quem as ouve. ontem foi um fim de tarde e uma noite boa. estrada, música, sol, cerveja e aquela calma de um domingo que não adivinha a pressa da semana que se segue. e no meio de tudo isto, o amigo de uma amiga estava ao piano a tocar, a substituir o filipe raposo. tem boa onda o daniel, e só quando o vi em palco é que me lembrei que já me tinham dito, alguém de um planeta diferente do dos concertos, que ele ia estar ao piano naquela noite. depois do concerto aproximei, com o daniel, estas duas pontas de pessoas que conheço e que ele, sem saber, conhece também. "- É giro, não é? Incrível! O mundo está mesmo a duas pessoas de distância"

p'a guida

"Diz ele", disse Austin, "que há um súbito cheiro a jasmim trazido pela brisa inesperada, um súbito olhar límpido de mulher num súbito terraço, uma bola amarela de criança que vem devagar tocar-nos nos pés, qualquer coisa de violino, ou qualquer coisa de harpa, que vem de qualquer coisa que é noite, ou apenas silêncio, uma luz filtrada de pausa em certo fim de tarde, o mar que chega à praia deste peito, a onda que se estende quando chega, um cisne sem lago subindo o colo daquela mulher, ou a sua nudez ansiada como espuma de carne num lençol, a curva a que a mão dá o contorno , o cansaço nos lábios mordendo os cigarros, a amplidão de repente feita olhar , um grilo que vem dos nossos campos de outrora a canta na noite, o sabor do café na manhã clara , uma saia que roda e faz fru-fru, a luz que rompe, rindo, em face suja, alguém recupera música esquecida assobiando , a madeira velha larga um odor a tudo o que apetece voltar a ter, um amigo chega, bate a porta e lembra-nos o...

Babinski

é o novo livro ilustrado por Luis Henriques aqui fica um gostinho (da imprensa canalha)

sabe bem

um jantar, café novo, chegar tarde e a "más horas" a casa. não ser só casa-trabalho-trabalho-casa e pronto, amanhã tenho sono sim. a fingir que tive a ver a anatomia até agora:)