Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

"Eternamente"

"sem ti, lancei outras raízes, construí pátios e terraços, fontes cujo som deveria apagar todos os silêncio, plantei um pomar com cheiro a damasco, mandei fazer um banco de cal à roda de uma àrvore para olhar as estrelas, um caminho o meio de um olival por onde o luar pousaria à noite, abóbodas de tijolo imaginadas pelo mais sábio dos arquitectos e até teias de aranha suspensas do tecto, como se vigiassem a passagem do tempo. nada disto tu vistem nada te contei, nada é teu. (...) sabes, quem não acredita em Deus, acredita nestas coisas, que tem como evidentes. acredita na eternidade das pedras e não na dos sentimentos, acredita na integridade da água, do vento, das estrelas. eu acredito na continuidade das coisas que amamos, acredito que para sempre ouviremos o som da água no rio onde tantas vezes mergulhámos a cara, para sempre passearemos pela sombra da àrvore onde tantas vezes parámos, para sempre seremos a brisa que entra e passeia pela casa, para sempre deslizaremos através d...

passear lisboa

a maggie está cá estes dias. é sempre diferente sabê-la cá, embora ela não o saiba, embora desconfie. passeámos lisboa. começamos a andar indefenidamente e acabámos ao pé do são luiz, na esplanada. na esplanada do são luiz. paradas, sentadas, e ainda assim a passear lisboa. lisboa.

é de rir

As melhores participações de seguros do ramo automóvel em Portugal O falecido apareceu a correr e desapareceu debaixo do meu carro. Para evitar bater de frente no contentor do lixo, atropelei um peão O acidente aconteceu quando a porta direita de um carro apareceude esquina sem fazer sinal. Aprendi a conduzir sem direcção assistida. Quando girei o volante no meu carro novo,dei comigo na direcção oposta e fora de mão! O peão bateu-me e foi para baixo do carro O peão não sabia para onde ia, então eu atropelei-o! Eu tinha a certeza que o velho não conseguia chegar ao outro lado da estrada, por isso atropelei-o O tipo andava aos ziguezagues de um lado para o outro da * *estrada. Tive que me desviar uma porção de vezes antes de o atropelar. Um carro invisível veio de não sei onde, bateu no meu carro edesapareceu. A camioneta bateu de traseira no meu pára-brisas, em cheio na cabeça da minha mulher.

dois anos e pouco

é a idade deste blog. fui ler-me para trás, li amigos também. encontrei este texto no blog da pipa. foi por ele, e através dele, que se marcaram novos jantares e este blog nasceu. hoje seria um dia de reunião, um dia só nosso, e eu vou ficar em casa. maldita gripe que me está a dar cabo da paciência, dos pulmões, da cabeça e do que mais há dentro dela. ainda bem que mesmo assim há coisas que se podem ler para trás. ainda bem que as pessoas se guardam por dentro, com febre ou não. "coisas boas" A casa da té tem o barulho dos passos apressados do tobias. gosto tanto da casa da té! Tem cheiro a abraço e sabor a amizade. tem chocolate quente e música. Normalmente, quando lá vou, tem-nos a nós. deitados no chão, arrastados das vidas, cansados, e felizes. conseguimos deixar penduradas na porta as coisas do dia, da vida. a casa da té tem música. tem paz. tem o movimento de lisboa, ali ao lado. e tem paz. é um lugar dos nossos, e chegar a casa da té é chegar a casa. vinho e cervejas,...

a pipa

a pipa é loira. engraçado, dantes parecia-me mais loira, agora nem me lembro que a chamávamos assim. sempre gostei muito dela. sempre. no início achava-a muito muito diferente de mim, embora fôssemos as duas caladinhas. e pipa era, e ainda é, "zen". foi assim que a descrevi numa noite de passagem de ano há uns bons anos atrás. "zen". e eu só vim aqui dizer que gosto mesmo muito dela. é uma referência e é pessoa boa.
"Abres um livro, este, e procuras. O que se procura não se sabe. E é preciso isso de não se saber se prolongue até à desmesura do processo de procura. Só assim um livro dura, suspenso da sua reticência, na euforia da promessa. Porque cada livro é sempre a promessa de uma palavra definitiva - não a última, mas a primeira. Uma palavra, ou outra coisa qualquer, um gesto, por exemplo, um pormenor, a curva da mão, um olhar, uma fita azul, um candelabro, uma jóia, poderá ser, sim, a mão atrás das costas, o contorno agudo do cotovelo, o cabelo apanhado logo ao sair da cama, a veia nebulosa de um braço, o pregueado de uma saia vermelha, será sempre aquilo a que o olhar se prende, não por curiosidade, que isso seria demasiado fútil, a curiosidade não tem lugar nestas coisas, mas para não cair, para não descer demasiado dentro de si mesmo, para manter à tona da água os olhos entreabertos, para emergir da noite da matéria, a silenciosa noite do mundo ou outra oisa qualquer, como um olhar, po...

que 2007

me traga as manhãs, mesmo as mal dormidas, as que custam a abandonar a cama, as que nos enchem o peito de ar fresco na primeira respiração profunda do dia os passeios, as viagens, o desfazer de fronteiras que não existem noutro lugar a não ser no fundo de nós me dê musica, da boa ( conta com a ajuda especial de alguém nesta parte) me dê noites e dias de amor interminaveis me faça ver o melhor de nós nos outros me dê a sabedoria para poder ajudar me dê a sensatez para gerir tempo e ter tempo para não fazer nada me continue a fazer perceber que a resposta, às vezs, não é "branca nem preta, e muito menos cinzenta" seja um ano de continuar esta vontade de realizar sonhos e arriscar algo novo, diferente traga as idas à escola ao fim do dia para ir buscar meninas que vêm cansadas e a contar o projecto da semana e a ideia de entrevistar um bombeiro para ensinar mais aos meninos sobre "as profissões" ou o chegar ao fim do dia a casa que fica numa rua que sobe e não desce, ...

o livro destes dias

" à procura, à procura do vento. Porque a minha vontade tem o tamanho de uma lei da terra. Porque a minha força determina a passagem do tempo. Eu quero. Eu sou capaz de lançar um grito para dentro de mim, que arrranca árvores pelas raízes, que explode veias em todos os corpos, que trespassa o mundo. Eu sou capaz de correr através desse grito, à sua velocidade, contra tudo o que se lança para deter-me, contra tudo o que se levanta no meu caminho, contra mim próprio. Eu quero. Eu sou capaz de expulsar o sol da minha pele, de vencê-lo mais uma vez e sempre. Porque a minha vontade me regenera, faz-me nascer, renascer. Porque a minha força é imortal." José Luis Peixoto se um dia conhecesse este senhor queria um tempo para lhe contar que as suas palavras têm sido estes meus dias e por isso mesmo estes meus dias têm sido melhores e vividos no lado quente de quem lê um bom livro

a caminho

a caminho de tua casa há um talho. é numa rua estreita, antes da curva em que a rua se desfaz e antes de um semáforo em que se espera a rua seguinte. quando te vou buscar sei que vou passar lá, por estar no caminho que faço até ti, quase no fim, quase a chegar. o semáforo implica espera e, por isso, parar frente ao talho. não é grande, tem só uma vitrine e uma porta. a vitrine não serve de muito por estar coberta com cartolinas fluorescentes a anunciar as costoletas, teclados, entrecostos, miúdos e pás ao melhor preço da região e arrredores. tudo escrito na letra de quem não tem jeito para escrever em cartazes, primeiro grande e cada vez mais pequena, como se soprada de um funil. à frente do talhoo há uma estátua, se é que se pode chamar assim, de um senhor com outra cartaz, este feito de barro, a anunciar as mesmas coisas que as cartolinas na montra. talho pequeno, tudo bem, mas lá comunicativo é. ora a rua é estreita, o passeio é estreito e a estátua, por ser larga, só cabe entre o l...
os dias são cheios de cor no outono com restos de verão e a certeza de um inverno cada vez mais próximo mas ainda assim quente há sempre casas onde é bom voltar e pessoas caminhos de regresso a quem somos e ao que démos e regressa transformado em mil pontos de luz
(suspiro)

em caracol

"Agora, as gotas de chuva que caem sobre a piscina, espaçadas e imprevisíveis, parecem-me a imagem que melhor descreve aquilo que existe dentro de mim e, no entanto, sei que se me sentasse a imaginar uma imagem concreta para reflectir este sentimento, nunca me lembraria desta visão simples aqui, à minha frente: gotas de chuva a caírem sobre a piscina. A minha idade irá parar no momento em que partires. Será uma espécie de morte cinzenta e de ausência. és tu que partes, mas sou eu que desapareço. Para onde fores, haverá pessoas que já existem agora, que respiram. No teu caminho, serão como pontos intermináveis de brilho. Talvez fales para essas pessoas, talvez elas te chamem pelo nome. Para onde fores, haverá mundo e vida. Aqui, continuará apenas esta varanda onde estou: um balcão. inútil sobre a paisagem, que se dissolverá numa cor única asim que partires. Sem surpresas, passarei a mão pelo cimento. Essa será uma carícia imaginada e desperdiçada. Mas isso será depois, quando exist...
posso dizer sindromes de etiologias várias, trissomia 21, deficiência mental e motora, cegueira...nada disto faz muito sentido. posso, antes, contar que tenho uma menina com os dois braços amputados e o que mais gosta de fazer é pôr luvas ou pulseiras nos "braços" (cotos) e dançar na sala. Tenho outra negligenciada em casa e que adora uma festa, que se ri, que tenta pôr o babete sozinha ao almoço apesar de ter mutio pouca força, que ri de felicidade quando a ajudamos a estar de pé. tenho um menino que finge dormir quando ´hora de trabalhar, e "dorme" mais com as técnicas de quem menos gosta. finge muito bem, de tal forma qe o ressonar parece verdadeiro e evidencia uma inteligência superior ao normal. tenho uma menina que não vê mas sabe quando estamos perto e, apesar de ter movimentos muito descoordenados, acerta sempre na taça de sopa quando a quer empurrar para longe. e ri-se. tenho outra que quer sempre mimo, trepa pelo colo, dança, adora chaves e quando é hora d...

dias

têm sido dias novos e de (re)descoberta. voltei a treinar, ainda por cima no estágio de pré-época e sinto agora como é bom e maravilhoso o banho depois do treino, à noite. o jantar tarde ainda com o sangue a correr mais depressa por dentro. comecei a trabalhar e a descoberta é constante. tenho uma sala pequena mas gosto por ser azul turquesa. todas as paredes são de um azul assim. quase parece que se mergulha quando se entra, não fosse a janela, à direita, a lembrar-nos que estamos fora de água num subúrbio de lisboa. são ainda muitas as dúvidas, as coisas a aprender, os horários e calendários não estabelecidos, os alunos por vir, a confusão dos almoços, as auxiliares...não tenho quase material nenhum, só algum que fiz, mas tenho prateleiras vazias para encher e é uma sensação boa, como a de um ano em aberto no princípio de Janeiro. voltei a outra casa e , apesar de um susto, foi um bom fim-de-semana onde o tempo passa devagar no balanço de uma rede que mora no terraço, debaixo das uva...

setembro

cheira a setembro em lisboa. ficaram para trás as estradas e caminhos, as imagens, os sítios novos e conhecidos, o dormir e acordar sem outro barulho que das cigarras e das estrelas (bem alto) do lado de lá da janela. o tempo de almoçar às 20 e jantar às 2, sair até ao nascer do dia e acordar ainda tonta, ainda com martini rosso, ainda com as canções. a minha rua voltou a ter quase todos os lugares de estacionamento preenchidos. fui ao ikea e estranhei tanta gente, já me desabituei disto. a segunda circular, a a5, o telefone a tocar e até o carro que larguei durante um mês. vêm ainda meloas e melões, fruta de verão, nas prateleiras de fruta, mas não será potr muito tepo. tantas tantas praias!!!guincho, são pedro, são joão, adraga, são lourenço, coxos, são julião, sul, norte, praia azul, praia de pobra del caraminal, praia das dunas, manta rota. todas e todas as areias, as marés e o caminho de regresso ao próximo verão. de alma cheia e cereza de vento a rasgar o peito que o importante ...

Fernando

uma vez a Maggie fez anos e fomos a casa dela para a festa. era uma casa muito bonita, ali para os lados da infante santo, com o rio inteiro nas janelas e um céu escuro ao início da noite. a maggie tinha uma saia e um top encarnados, estava com o sorriso de quem faz anos (sei que ela gosta de aniversários), a casa tinha quartos para todos os filhos, cinco. a margarida, a filipa, a teresa, o jonas e o gonçalo (se bem que o gonçalo nessa altura, a existir, só na bariga da mãe). havia uma mesa grande e comida, muitos livros nas estantes, quartos giros e a vista. havia varandas daquelas pequenas, que se nos pomos lá parece que vamos em descolagem por ai. ou talvez seja como diz o palma, "abriu a janela e voou". eram varandas de voar, sei-o agora. ficámos noite dentro e madrugada fora. conversámos, brincámos com a aparelhagem que tinha um sistema qualquer em que se passava a mão por um sensor, sem tocar em nada, e a porta do leitor de cd abria-se. passámos a noite a trocar d...
já plantei uma àrvore quando era pequenina, com o meu Pai, um eucapalipto que de facto cresceu e onde, anos mais tarde, escrevi dentro de um coração o meu nome e o de alguém ainda não escrevi um livro mas ganhei uma história ainda não tenho um filho mas tenho netos e são seis!