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Mensagens

"hoje é dia de festa"

adoro as festas de anos de quando se é pequenino. a minha sobrinha mais velha fez hoje 6 anos. 6 anos é sempre aquela marca que anuncia " primária à vista", as letras a começarem a aparecer, as expressões como "bué", a fronteira que se esbate na escola. e também tudo o resto. o parque, os filmes, os brindes da macdonalds, as histórias antes de deitar, os cromos da caderneta e a troca dos repetidos, o jantar à noite, as brigas com os irmãos, os ataques de cócegas, a dança de músicas da disney, o fazer surpresa e ir buscar à escola, os abraços, mais cócegas e o riso. hoje juntei sobrinhos, misturei-os com amigos de escola e de prédio, irmãos mais novos e mais velhos, uma pitada de família, bolo de chocolate e smarties+gomas q.b...ouvi Tité!!!!!, vi um papel de embrulho personalizado, um ataque de vergonha, um "era isto mesmo que eu queria!!!!!!", as smarties a serem roubadas da cobertura do bolo, dezenas de copos a pedirem-me mais coca-cola e sumos, e "...

AREIA

afinal chama-se AREIA :) o tobias claro que não foi despromovido, mas agora tem uma amiga, que já é maior que ele, para brincar. a areia é a mais querida, mais amorosa cadela que já vi!tem umas patorras que faz favor, um ar ainda muito desengonçado e aquela coisa de ser bebé, correr muito, de repente parar e tombar no chão a dormir. ainda anda toda destrambelhada, abana-se muito, fica muito contente com visitas e se vê televisão dá-lhe o sono. ocupa a praia inteira de um colo, tem uma mãe que se chama bolota e salta o muro para a ir visitar. tem uns olhos esverdeados e gosta de ir buscar uma bola ao jardim. depois dá a bola ( esta parte o tobias nunca fez, ía-se embora). vai ser giro dizer "areia, vamos à praia!"

"police line, do not cross"

"Mas lá está: àquele estado de alma, àquela euforia interior, àquela sensação de final de Obrigada por uma trip sem adjectivos materiais possíveis, só chega quem não tem medo de naufragar." Margarida Pinto Correia in "Razões mais que suficientes, desconhecidas e gritantes" Este texto foi um início há uns meses atrás. Hoje tenho saudades do Coliseu do Porto, de partir na estrada com os meus melhores amigos e ir só. Não ficar na preguiça, ser impossível ficar. Aqui, a única maneira de conhecer é ir. Mais nada. A vida é, mais do que palavras, "uma ideia ou um verso", a vida são gestos. Estas palavras são o fim de um círculo hoje. Fiz espaço e tempo, empurrei para o lado, afastei, juntei nos cantinhos tudo o que tinha que fazer, tudo o que era suposto, para poder criar um espaço de ser. Não me arrependo. Só tenho pena que, fechando círculos, não fiquem arestas onde possa parar e ver chão e céu ao mesmo tempo.

à beira rio

ontem fui tomar um café que se transformou num jogo de futebol. com lances emocionantes, golos, desmarcações, bolas no poste, bolas-quase-no-rio, a tosse até os pulmões abrirem tudo o que é preciso, o sol, os óculos escuros a cair, os carros em debandada pela marginal. bigodes de cornetto de morango, café, cheiro a palmiers e o trânsito na ponte, em arco, lá ao fundo. passei-te perto e não viste. ontem fui tomar um café e nas conversas de café que há nos cafés contaram-me: "olha, ele anda a ler o teu blog...". e eu corei por dentro, como coro quando sei que me viram por aí sem estar presente e chega aquele calor e a surpresa de me terem na lembrança. obrigada Pedro R. e todos, anónimos ou não, que passam e entram aqui.
it was intorelable: the thought of being exiled from beauty, of having to look at it with the same resignation as when you look at something you know you will never have, something you are not worthy of. That really killed me. The possibility of yourself becoming that beauty, even if only once, simply by wadding into it, letting it flow in through the pores of your skin; rolling in it, mud, dust, rain or sand, smearing it all over you- suddently I was feeling wild- how could anyone exclude that possibility from their life?

sorriso de março

hoje de manhã ía no autocarro a ouvir música e a pensar em qualquer outra coisa para além do transporte e da manhã em volta. O que me fazía regressar ao banco do bus eram as sacudidelas da tosse que me tem feito companhia e ajudava a mudar de posição no banco de forma quase automática. Isto, claro, além de uma nova arrumação dos pulmões, já que suspeito que me saíram várias vezes cá para fora, embora ninguém mostrasse o olhar espantado de "pulmões-ao-relento". Depois de uma das sacudidelas, que não contei por serem muitas, vi uma caixa de medicamentos no meu colo e uma uma senhora de olhos transparentes que a segurava. "Tome, ajudam muito. Tambémm estive assim e sei bem o que é", disse ela. Tinha um sorriso inteiro, estava muito arranjada, com o ar de quem não tem sono e de que todos os dias são dias especiais, e tinha olhos de Tejo. não são as palavras que fazem as pessoas, mas os gestos. este veio com a solidariedade dos viajantes, um sorriso e um olhar. Obriga...

9 março

Recebi um presente muito bonito:é um livro. Um livro que não tinha e ía lendo nas livrarias à sucapa, ou em casa de alguém que o tivesse. Agora tenho um no chão, que é onde se saboreiam os presentes. tem uma coisa que adoro: uma dedicatória. (obrigada)

o salto

hoje é dia de dar o salto

caracol

"- O que é isso aí no cabelo? - É um caracol. - Tá morto?" caracol, caracol pauzinhos ao sol... quando adormecias nos meus braços no tempo de seres ainda mais pequenina era assim

M., C., T. e todos os outros principios de nomes de crianças

A M. ganhou o hábito de dormir em cima de livros desde a semana passada. o guia turístico de Paris, juntamente com o urso do pijama, são os companheiros de sonhos agora. A C. delira também com a palavra "Paris", com todas as palavras que encontra. continua a gostar de ouvir histórias de quando era pequenina e a não compreender o "mundo antes de eu nascer". O T. faz experiências e fala inglês, faz canções nas viagens de carro, sonha com cobras, ri-se naquele sorriso de rir o mundo inteiro. A M., outra, brinca com uma casa de bonecas e conta a todos uma história, disputa uma torradeira de brincar com o irmão pequeno. D. quer a torradeira para pôr as torradas a fingir a fazer e vê-las saltar no fim. "Já tá!". A C., outra, continua com os ensaios de ballet para o espectáculo do fim do ano. A R. foi fazer análises ao sangue e saiu de lá com dois braços picados, uma chucha na boca e uns olhos muito muito encarnados de quem parecia ter mergulhado na piscina. O J....

Lisboa, 18-19 Dezembro 1977

minhas coisas tão docemente amadas, meu Oceano que és para mim o que nunca foste nem serás para ninguém, minhas manhãs de tímidas madrugadas, minhas águas correntes de regatos imensos que não estão no corpo mans na alma e desaguam sempre noutro rio até chegarem àquele a quem os antigos chamavam Letes. Minhas queridas nuvens: É uma ingratidão amar-vos tanto e ainda não vos ter escrito. Mas sei que me hão-de perdoar. Se só agora vos falo e porque talvez esteja agora longe de vós e mais sinta a vossa falta, talvez por ter sido sempre impenetrável na minha completa solidão, e de me convencer, agora, que vou morrer tão só como nasci e cresci. "Damos"..."Dou", era o que devia ter escrito. Esqueço-me sempre de que só posso falar- e aproximadamente- de mim. Com o resto nem sequer me devia preocupar. O milagre de estar vivo é tão grande que me devia bastar para encher os dias todos, mesmo que eles fossem muitos. Mas...esquecemo-nos tão depressa destas coisas tão si...

" a senhora"

" A senhora afastava-se em fato de banho ao longa da piscina e quando se encontrava a quatro ou cinco metros do professor de natação, virou a cabeça na direcção dele, sorriu-lhe, e fez-lhe um sinal com a mão. Fiquei com o coração apertado. Aquele sorriso, aquele gesto, eram de uma mulher de vinte anos! a mão como que voara com uma ligeireza encantadora. Como se, por brincadeira, ela atirasse ao amante um balão de muitas cores. O sorriso e o gesto eram cheios de sedução, ao passo que o rosto e o corpo já nada de sedutor tinham. Era a sedução de um gesto afogado na não-sedução do corpo. Mas a mulher, embora devesse saber que deixava de ser bela, esquecera-o nesse instante. Numa certa parte de nós mesmos, todos vivemos para além do tempo. Talvez só tomemos consciência da nossa idade em certos momentos excepcionais, permanecendo sem idade a maior parte do tempo. Em todo o caso, no momento em que se virou, sorriu e fez um sinal com a mão ao professor de natação ( que, incapaz de s...

de lado nenhum

voltei como se volta aos países perdidos na infância. às brincadeiras em surdina, ao pentear dos cabelos das bonecas, à crença de que se consegue equilibrar um garfo na ponta de um dedo sem nunca cair. passei por todos os sabores que eras tu, o cheiro, o corpo, o teu e o meu. os rituais do dias. outras horas. as horas. voltei a outro lugar que já não me pertence e ainda assim sei de olhos bem fechados. e mais uma vez que acredito: não tenho morada certa. física. um lugar exacto. sou vento. casa é o vento entre quatro paredes. felicidade: duas brisas em conjunto. hoje não sou eu e mais alguém. nem eu com mais alguma coisa. sou eu só. sem pele, ossos, mãos (outro alguém escreve por mim agora). sem música. no tempo entre dois tempos que são, mas num tempo de não ser. agora sou de lugar nenhum.

"por mais que te diga"

"por mais que te diga tantas e tantas vezes, nunca te direi vezes que cheguem como é bom estar vivo" (MST)

ler

vou pôr uma música boa, Pat Metheny ou Keith Jarrett, e buscar o T. à sala. Vai-me aquecer os pés. vou puxar uma mantinha, fazer um cachinho que equilibro na barriga. vou mergulhar de cabeça a minha cabeça em duas ou três almofadas. tenho o comando da aparelhagem ao pé de mim vai cair. daqui a quase nada. tenho o telefone e hei-de acordar com a vibração de uma mensagem em sítios menos próprios. ou não acordo. vou desligar este pc e despedir-me de todas as coisas inúteis. vou ler. primeiro a lembrar-me de outras coisas, a pensar no que tenho para fazer, a pensar em qualquer coisa até que há-de chegar o momento a partir do qual estou só a ler. e a vida da Claúdia, João, Ana, Nuno, bem como os caminhos de Algés e Benfica, vão ser tão meus como deles. devo adormecer com o livo marcado, quando cai no chão, aberto em mariposa coom as letras para baixo, ou então as páginas fecham-se com um dos meus dedos lá instalados. um dedo que se afasta depois, no caminho da terra dos sonhos. adoro...