30 de Dezembro de 2010

I love you

1 de Novembro de 2010

uma mala da papelão







para pôr os meus cadernos dentro, é disso que ando à procura.

é para dentro deles que vão os dias

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14 de Outubro de 2010

I'm trying to take more time just to be still and breathe

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11 de Outubro de 2010

Portugal

Eu sou Portugal quando penso antes de comprar um telefone se devo guardar o dinheiro para propinas ou livros do trabalho. Sou Portugal quando buzino, quando como corquetes em cocktails que não sei o que comemoram ou quem paga. Sou Portugal se acho que está bem reclamarem com o preço de fotocópias e a Cidade Universitária podia ser a "Cidade do Estacionamento" tal é o caos de carros e motas existentes. Sou Portugal quando espero que a mão do estado seja a minha mão, ou quando pactuo com partidos políticos que não têm como denominador comum o meu país mas o umbigo que quem os dirige.

Não sou Portugal quando escolho deixar telefone para o próximo mês. Trabalho num local que é exemplo do que o trabalho árduo e concertado são capazes sem um tostão do estado, sem que as condições perfeitas existam porque é exactamente por não existirem que temos de as construir e realizar. Somos bem reconhecidos lá fora mas, curiosamente, quem o é anda a pé nas ruas de Amesterdão e Nova Iorque e compra o passe. Somos bons cá mas tenho que engolir o discurso de pessoas que não fazem e não ocupam o lugar daqueles que quereriam, porque mesmo as alternativas são parcas e não acrescenam em qualidade. Gostava de saber mais sobre os bons projectos que estão a acontecer, criar novas pontes para esforços comuns. Nós não podemos depender do estado, somos uma sociedade civil e é nosso o poder, e a responsabilidade, de nos mobilizarmos face a objectivos próprios acrescentando algum que seja comum. Um! Nós não podemos depender de ninguém se não de nós mesmos. É altura de perceber que não é o carro, o telefone ou o cargo do Pai ou da Mãe que nos definem. Não é o trabalho que temos que nos dá dignididade, é da responsabilidade de cada um dignificar qualquer trabalho que faça. Qualquer país. O meu.

25 de Setembro de 2010

last night

ontem os bancos falharam, a secretaria falhou, quiseram reborcar-me o carro, levei uma multa pesada mas não poss mesmo estacionar noutro sítio ( e a alternativa de não ir às aulas não me satisfaz), tudo parecia ir a baixo.mas tenho a melhor família do mundo e os melhores amigos, pessoas que estão sempre sempre comigo.

e fui à casa do castelo e pasou. assustei-me por pensar que seria melhor que eu mas lembrei-me da imagem do parto, de uma dor que em e vai mas que somos sempre capazes de lidar em cada onda. porque fazemos parte do mar. porque somos algo maior e se não estiver feliz aqui mudo.

simple as that.
mudo de emprego e não me ponho mais em causa com isto que não mereço!

16 de Setembro de 2010

pois é...


vem aí o Outono...
(suspiro)
Ryan McGillian

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5 de Setembro de 2010

Roger

“Foi tudo tão rápido, embora goste de velocidades!”

A primeira vez que falei contigo a sós foi por telefone. Queria pedir-te uma opinião, disseste “Sentamo-nos e explico-te tudo!”. Era um dia de trabalho. Achei estranhos a delicadeza e o cuidado. Pensei que fosse por ser amiga de amigos, por ter uma cadela bonita, por mil e uma coisas que não fossem a tua oferta sincera de tempo e presença. Planeámos a ninhada da Areia no Careca, onde nos viríamos a encontrar muitas vezes. Compraste um rádio e uns postais para os bebés cães terem música e paisagem quando estivéssemos longe. O teu cuidado.

Através de ti conheci muitas pessoas. Eras um conector.Os teus pais, a tua casa, tantos dos teus amigos, a quinta, os carros, a igreja dos escuteiros, os planos de viagens, o clube do coração, os planos para jantar, um lanche, uma sardinhada, os festejos do europeu no capot do carro, a tua exigência de cantar o hino em pé, aos berros,antes do jogo começar. O movimento que se sentia à tua volta era o de um furacão sendo tu o centro, a rir.

És a pessoa mais impossível de imaginar morto. Só acreditei quando vi, embora a leveza com que uma velhota levantou o pano que te cobria tenha em mim o peso do Pico condensado nesse gesto, espetado inteiro no coração.

Consola-me o facto de te saber tão feliz momentos antes e de estares no teu lugar preferido. Parece de propósito agora. Tenho orgulho neles, ao teu lado sempre, a pegar-te da forma que puderam e podem, a fazerem tudo pelo Outro. ( Aprenderam-no contigo.) O teu pai fazia festinhas na cara da tua mãe e falava-lhe ao ouvido lá à frente, primeira fila, as mesmas palavras de consolo quando estarias para nascer. O teu irmão, o Padre que não se conseguia despedir, todos com lenços mas já não havia lenços, o Max, o Tiago, a Marta, a Pipa, o Hugo que queria os filhos, os carros em fila e aquele silêncio, o não se conseguir acreditar, a igreja onde me disseste que vista à noite era soberba, os caminhos , os ca rros , lá gri mas, par ti dos, juntos, agarrados para saber que nos temos.
Fui buscar as minhas sobrinhas (precisei mais hoje), fizémos um jantar, elas quase adormeceram à mesa no fim e na manhã seguinte vimos bonecos. Nunca mais tinha visto bonecos mas agora sei os nomes (o teu cuidado), dei-lhes mimos ( a tua ternura), contámos novidades ( a tua presença), apertei-as “com toda a força do mundo!” (a tua loucura), despedi-me (a tua saudade) e no regresso a casa lembrei-me da tua mão, sempre ferida de dentadas, e da forma como pegavas no volante e nas mudanças. Empurravas, a levantar vôo.